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Com acordo entre EUA e Irã, petróleo fecha em queda de 4,7%, aos US$ 83

O barril do tipo Brent para agosto (referência internacional), commodity que foi o principal guia dos indicadores ao longo dos últimos 100 dias, encerrou a segunda-feira em baixa de 4,76%, cotado a US$ 83,17. O movimento refletiu o acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do fluxo global do óleo. A queda do barril impulsionou uma forte alta dos ativos de maior risco no exterior, movimento que não foi captado no Brasil. Por aqui, o principal índice da Bolsa foi pressionado pelas ações de petrolíferas e do setor financeiro, fechando em baixa de 0,42%, aos 170.415 pontos. Já o câmbio encerrou em ligeira alta de 0,06%, aos R$ 5,06. Ainda que leve, o alívio dos juros futuros não reverteu as projeções futuras adotadas desde a semana passada. Para analistas, o não aproveitamento do bom humor global foi apagado pelo pessimismo local. Além do impacto na previsão da inflação por conta do preço do petróleo beirando os US$ 100 há dois meses, o aumento dos gastos públicos neste ano eleitoral voltou às conversas nas mesas de operações e nos relatórios de grandes instituições financeiras. O Boletim Focus, documento que ouve participantes do mercado financeiro e é realizado pelo Banco Central, mostrou nova rodada de piora das projeções para a inflação e juros neste e nos próximos anos: — É um ambiente que vai melhorar em geral por conta da redução do conflito, acalma. Mas, no caso brasileiro, houve uma piora importante, relacionada à expansão fiscal, com gasto adicional de R$ 215 bilhões — ele diz, afirmando que o aumento dos gastos públicos tendem a “atrapalhar o Banco Central a reduzir os juros”: — O Banco Central tem, então, que abortar grande parte da queda (da Taxa Selic). E isso tudo está sendo realizado à margem do arcabouço fiscal, num momento em que se precisava de moderação dos gastos — disse ele. Na curva de juros, o mercado ainda estimava um terreno restritivo para a Taxa Selic. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu a 14,24%, ante 14,36% na última sexta-feira. Para janeiro de 2029, o DI aliviou para 14,33%, de 14,455% na sessão anterior. Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na próxima quarta-feira, os operadores previam uma redução de 0,25 ponto percentual, a 14,25%, mas ainda havia dúvidas quanto a magnitude total do ciclo de cortes até o fim do ano. Pesquisa eleitoral divulgada nesta segunda-feira, mostrando perda de competitividade do senador Flávio Bolsonaro (PL) frente a Lula, também reforçou o cenário de cautela para o investidor. A avaliação é de Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, que também vê com preocupação a pressão criada pelos recentes indicadores macroeconômicos: — A nova pesquisa mostrou adversidades para as chances de um candidato reformista. E estamos num cenário em que é preciso uma correção de rumo. Sem reformas, você caminha para um cenário mais adverso por conta do aumento da relação entre dívida pública e PIB. E, atribui-se que, para haver uma agenda reformista, seria necessário a troca da condução política — ele diz. Ontem, apesar da ligeira desvalorização, o real foi a segunda moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar dentre as 31 moedas mais negociadas do mundo, ficando atrás apenas da coroa norueguesa. Em linha com a queda firme do petróleo, as ações preferenciais das petrolíferas encerraram o dia em queda firme, pressionando o Ibovespa: os papéis preferenciais da Petrobras (PN, sem voto) caíram 5,15%, aos R$ 39,06, maior queda diária desde agosto do ano passado. Os papéis ordinários (ON, com voto) desvalorizaram 5,3%, aos R$ 43,74. A empresa perdeu R$ 30 bilhões em valor de mercado. As ações da Prio também fecharam em baixa de 6,91%, aos R$ 57,10. IA drena recursos Apesar do fim do conflito se refletir num aumento do apetite a investimentos de maior risco, o retorno das apostas em inteligência artificial também contribuiu para a redução do investimento internacional nos papéis brasileiros. Desde o pico do ingresso do estrangeiro no segmento de ações brasileiras, em meados de abril, os bolsos internacionais já retiraram, em dois meses, quase R$ 32 bilhões da B3 em dois meses. Para Marcel Andrade, responsável pela área de soluções na SulAmérica Investimentos, as aberturas de capital (IPOs, na sigla em inglês) tendem a drenar recursos que apostaram nas companhias dos mercados emergentes: — Toda aquela dúvida que existia no mercado sobre os resultados das empresas de inteligência artificial ficou para trás. Os balanços mostram que os investimentos estão se pagando. E há esse movimento de euforia dos IPOs, como o da SpaceX, e os que virão, como Anthropic e OpenAI. O fluxo de capitais que tinha deixado os EUA está voltando — ele disse. Em seu segundo dia de negociações, a SpaceX subiu 19,6%, aos US$ 192,50. De acordo com a consultoria Vanda Research, as pessoas físicas compraram só em ações da companhia o mesmo volume que negociaram em todo o mercado americano na semana passada. Em Nova York, as Bolsas registraram alta firme, e o índice Dow Jones alcançou nova máxima histórica. O S&P 500, índice de referência americano, subiu 1,65%, aos 7.554 pontos, enquanto o Nasdaq, de papéis ligados à tecnologia, avançou 3,07%, aos 26.684 pontos: — A volatilidade pode persistir no curto prazo, enquanto os mercados avaliam a implementação e a durabilidade do acordo, mas mantemos nossa visão de que o crescimento resiliente e os lucros corporativos robustos devem continuar impulsionando as ações — afirmou Ulrike Hoffmann-Burchardi, do UBS. Com a queda do petróleo, operadores americanos passaram a atribuir menor probabilidade a uma alta de juros por lá até dezembro. O Federal Reserve (Fed, o BC americano) também se reúne na quarta-feira para decidir os juros, com apostas na manutenção na faixa atual, entre 3,5% e 3,75%, enquanto avalia de que forma o choque nos preços da energia afetará a economia do país. (com Bloomberg News) Autor/Veículo: O Globo

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Petrobras amplia combustíveis sustentáveis e lidera a Transição Energética Justa no Brasil

A Petrobras vem consolidando sua liderança na Transição Energética Justa (TEJ) por meio de investimentos em combustíveis mais sustentáveis, descarbonização de operações, geração renovável e inovação tecnológica. A estratégia concilia segurança energética, desenvolvimento econômico e redução das emissões de gases de efeito estufa, em um cenário de transformação das matrizes energéticas globais. O compromisso está refletido no Plano de Negócios 2026-2030 da companhia, que prevê investimentos de US$ 109 bilhões nos próximos cinco anos, dos quais US$ 13 bilhões serão destinados a iniciativas de baixo carbono. O montante contempla projetos em energias renováveis, bioprodutos, descarbonização das operações e pesquisa, desenvolvimento e inovação, representando 12% dos investimentos previstos para o período. A Petrobras também mantém metas de redução de emissões até 2030, incluindo a diminuição de 30% das emissões operacionais em relação a 2015. A companhia reafirma ainda o compromisso de alcançar a neutralidade das emissões operacionais até 2050. O que é Transição Energética Justa A Transição Energética Justa é o processo de transformação das matrizes energéticas para modelos mais sustentáveis, assegurando que trabalhadores e comunidades sejam parte integral dessa mudança. O conceito prevê que a transição para uma economia de baixo carbono com menos emissões seja inclusiva e equitativa, considerando seus impactos sociais e econômicos. Nesse contexto, a Petrobras destaca que é possível conciliar a transição energética com a exploração responsável de óleo e gás. Atualmente, o petróleo brasileiro possui uma das menores intensidades de carbono do mundo e continua sendo importante para garantir a segurança energética do país e gerar os recursos necessários para financiar novos investimentos em soluções com menos emissões. A companhia vem ampliando investimentos em descarbonização das operações, geração renovável e combustíveis sustentáveis, além de seguir avaliando novas alternativas energéticas.Com Diesel R, Petrobras reduz as emissões para transporte terrestre Entre os principais produtos da estratégia de redução das emissões da Petrobras está o Diesel R, combustível obtido por meio do coprocessamento do diesel tradicional com matérias-primas de origem vegetal ou animal, como óleo de soja. A parcela renovável utilizada no produto é composta por óleo vegetal hidrotratado, conhecido como HVO (Hydrotreated Vegetable Oil). O Diesel R pode ser utilizado sem qualquer alteração nos motores ou na infraestrutura logística existente. A Petrobras destaca que a parcela renovável do combustível reduz em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel fóssil. Segundo a companhia, cada litro de conteúdo renovável presente no Diesel R evita a emissão aproximada de 2,1 kg equivalentes de CO₂. Além dos benefícios ambientais, o combustível apresenta alta estabilidade, baixo teor de contaminantes e contribui para maior durabilidade dos motores e menor risco de falhas operacionais. A Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), pioneira na produção do Diesel R, possui certificação internacional ISCC (International Sustainability Carbon & Certification), que atesta a sustentabilidade da cadeia produtiva. O combustível já é utilizado por empresas como Volvo, Vale e Amazon. Em Cubatão (SP), a Petrobras se prepara para construir sua primeira biorrefinaria, onde será produzido o Diesel R100, conhecido como Diesel Verde, composto integralmente por conteúdo renovável. A expansão desse mercado acompanha uma tendência global. A utilização de diesel com parcela renovável é uma das que mais crescem no mundo, ampliando a competitividade do setor e oferecendo novas alternativas para a redução das emissões no transporte rodoviário e logístico. Petrobras produz combustível para redução de emissões na aviação No setor aéreo, a Petrobras desenvolveu o SAF (Sustainable Aviation Fuel), combustível sustentável de aviação produzido na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. O produto combina querosene de aviação convencional com uma fração renovável obtida a partir de matérias-primas sustentáveis. O SAF Petrobras é quimicamente semelhante ao combustível de aviação convencional e pode ser utilizado sem necessidade de adaptações em aeronaves, sistemas aeroportuários ou infraestrutura de abastecimento. A companhia informa que a parcela renovável possui potencial para reduzir em mais de 80% as emissões de CO₂. Quando produzido com matérias-primas como óleo técnico de milho ou óleo de soja, a redução prevista nas emissões líquidas pode chegar a até 87% na parcela renovável. O combustível recebeu certificação CORSIA, tornando a Petrobras a primeira empresa da América Latina a produzir SAF certificado de acordo com os critérios internacionais de sustentabilidade da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO). As primeiras entregas comerciais do produto totalizaram 3 mil metros cúbicos, volume equivalente a cerca de um dia de consumo dos aeroportos do estado do Rio de Janeiro. O combustível atende integralmente às exigências da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e à norma internacional ASTM D-1655. Sobre o lançamento do produto, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou: “O SAF, produzido por coprocessamento no parque de refino da Petrobras, é uma solução que contribui para o cumprimento das metas de descarbonização do setor aéreo. É um produto competitivo, que atende a rigorosos padrões internacionais da aviação. Estamos oferecendo ao mercado nacional a possibilidade de atender às demandas globais, antecipando o cumprimento do CORSIA, que é um programa internacional para a redução das emissões provenientes dos voos internacionais”. Setor naval conta com combustível mais sustentável produzido pela Petrobras A estratégia de descarbonização da Petrobras também alcança o transporte marítimo. A companhia é a principal produtora e fornecedora nacional de óleo combustível marítimo e oferece ao mercado o Bunker Petrobras B24, produto que possui 24% de conteúdo renovável em sua composição. O combustível é destinado ao abastecimento de embarcações de cabotagem e de longo curso que operam nos principais portos brasileiros. O fornecimento ocorre por meio dos serviços de bunkering (processo de abastecimento de combustível para navios) realizados por barcaças ou sistemas de tubulação. Além do B24, a Petrobras produz o Bunker Petrobras VLSFO (Very Low Sulfur Fuel Oil), desenvolvido para atender às exigências da regulamentação IMO 2020, que limitou o teor de enxofre dos combustíveis marítimos a 0,5% em massa. Os produtos também seguem as especificações internacionais da norma ISO 8217 e as exigências da regulamentação da ANP. Ao ampliar sua atuação em combustíveis mais sustentáveis para os setores rodoviário,

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Trump diz que estreito de Hormuz está aberto, enquanto Irã promete cobrar taxas

No dia seguinte ao anúncio de que haviam chegado a um acordo para encerrar a guerra iniciada em fevereiro, o que abriria caminho para a retomada do comércio marítimo no estreito de Hormuz, Estados Unidos e Irã emitiram mensagens conflitantes sobre o tema nesta segunda-feira (15). O presidente americano Donald Trump afirmou que navios já estão circulando no estreito, rota responsável por uma parcela significativa do transporte mundial de petróleo, que havia sido bloqueado pelo Irã em meio à guerra. “Os navios estão começando a sair do estreito de Hormuz, muitos deles carregados de petróleo”, escreveu Trump na rede social Truth Social. “Eles estão seguindo pela ‘rodovia’ do sul, que é totalmente segura e imaculada. Existem outras rotas de navegação também!!!” O vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, disse que espera que o texto do acordo seja divulgado nesta semana e que não haja cobranças para a reabertura de Hormuz. “Nossa expectativa é que o estreito seja aberto sem cobrança de pedágio a longo prazo”, afirmou à CNBC. “É esse tipo de questão que vamos resolver nessas negociações técnicas.” Já o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou disse segunda que o acordo prevê que Teerã cobrará taxas de serviços marítimos dos navios que transitarem pela via navegável. “Sempre afirmamos que não pretendemos cobrar pedágios de trânsito, mas serão cobradas taxas por serviços de navegação, proteção ambiental, seguro de navios e outros serviços necessários”, afirmou o porta-voz do ministério, Esmaeil Baqaei, em entrevista a jornalistas. O órgão também disse que o Irã ainda nutre uma “profunda desconfiança” em relação aos Estados Unidos, apesar do acordo. “Infelizmente, é preciso reconhecer que a profunda desconfiança do Irã em relação aos Estados Unidos decorre de uma longa história de atos ilícitos por parte dos líderes americanos”, afirmou Baqaei. O acordo entre Washington e Teerã tem assinatura formal marcada para sexta-feira (19), na Suíça. O fechamento de Hormuz levou o valor do barril do petróleo a saltar de cerca de US$ 72 (R$ 364) antes de 28 de fevereiro, início do conflito, para um pico de US$ 126 (R$ 638) no final de abril. Com o anúncio do acordo, a expectativa de normalização do fluxo energético teve impacto imediato. Os contratos futuros do petróleo Brent caíam cerca de 4% nas primeiras horas de abertura do mercado internacional, enquanto o petróleo americano WTI registrava queda de 4,6%. O presidente francês Emmanuel Macron disse, na tarde desta segunda, durante a abertura do G7 nos Alpes franceses, que França e Reino Unido estão prontos para liderar uma missão militar conjunta de escolta e remoção de minas no estreito de Hormuz, tão logo o acordo de paz entre Washington e Teerã seja confirmado. Macron afirmou que uma eventual cobrança de pedágio pela passagem dos navios não é aceitável. “Não está de acordo com o direito internacional”, disse, acrescentando que a prioridade imediata é ver os navios circulando novamente, mas que a questão do pedágio será discutida na cúpula. (AFP e Reuters) Autor/Veículo: Folha de São Paulo

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Fim da escala 6×1: Câmara deve votar hoje projeto de lei com o mesmo texto da PEC – Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes

A Câmara dos Deputados deve votar nesta hoje o projeto de lei do governo federal que trata do fim da escala 6×1 com o mesmo texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) já aprovado na Casa. O objetivo é destravar a pauta do plenário da Casa, bloqueada desde o último dia 30. O projeto de lei foi enviado pelo governo em regime de urgência constitucional, o que obriga a deliberação dos parlamentares em até 45 dias, com risco de bloquear a pauta de votações. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou a pedir na semana passada a integrantes do Palácio do Planalto que retirassem essa urgência para destravar a pauta, uma vez que a Casa já havia votado a PEC. O pedido, no entanto, não foi atendido. A avaliação de governistas era que eventual recuo do Executivo no tema poderia fazer com que o assunto não ficasse na ordem do dia do Congresso. O Planalto trabalha para que a PEC seja aprovada antes do recesso parlamentar, que inicia oficialmente em 18 de julho, mas ainda há uma indefinição de como o tema será discutido no Senado. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ainda não despachou o texto da PEC, que foi aprovada em maio na Câmara, à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeira etapa da tramitação. Considerada prioritária pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a proposta está parada desde então. Na última quinta-feira, Motta designou o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), que foi relator da PEC, para relatar também o projeto de lei. A ideia, dizem aliados, era destravar o plenário da Casa, ao mesmo tempo que serviria de recado ao Executivo. Autonomia da Câmara em xequeUm aliado de primeira hora do presidente da Câmara diz que não há disposição da cúpula da Casa em tensionar com Lula. Mas, ressalta, era importante que Motta se posicionasse para defender a autonomia da Câmara. “Vamos manter o mesmo texto da PEC 6×1, aprovada em 27/5 pela Câmara dos Deputados, agora em análise pelo Senado. Isso demonstra nosso compromisso com a classe trabalhadora e com as prioridades do país. O objetivo é destravar a pauta da Casa para avançarmos em outras matérias de relevância, como o Marco Legal da IA e o aumento do limite de faturamento do MEI”, escreveu Motta em publicação nas redes sociais na semana passada. A expectativa é que Leo Prates replique o texto aprovado pelos deputados na PEC, evitando se debruçar sobre categorias específicas, que seriam regulamentadas em momento posterior. Isso porque é preciso aguardar a votação da PEC no Senado e eventuais modificações na norma que serão feitas pelos senadores antes de tratar das categorias específicas. Prates se reuniu com consultores da Câmara nos últimos dias para fazer um pente-fino na proposta e avaliar eventuais ajustes. Ele deverá apresentar o texto em reunião de líderes nesta terça-feira. Alcolumbre se queixa da pressãoAlcolumbre tem se queixado da pressão que tem sofrido para dar celeridade à discussão da PEC no Senado. O tema é prioritário para o governo Lula, já que é visto como uma possível marca da gestão petista e potencial bandeira a ser explorada no processo eleitoral. Segundo relatos de interlocutores, Alcolumbre quer uma conversa com Lula antes de dar andamento à PEC. As duas autoridades estão afastadas desde que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), impondo derrota histórica ao governo federal. O Palácio do Planalto avalia que Alcolumbre foi um dos responsáveis por orquestrar essa derrota.Na semana passada, o parlamentar indicou que se reuniria com líderes do Senado para discutir a tramitação do texto. O encontro, no entanto, não ocorreu. Ainda não há definição se o texto tramitará em mais de uma comissão ou qual será o relator no Senado. Nos bastidores, diversos nomes são apontados como possíveis relatores, entre eles os senadores Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação de Lula, Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e Omar Aziz (PSD-AM). Governistas avaliam como remotas as chances de o tema avançar nesta semana no Senado. Isso porque Alcolumbre determinou que as sessões nos próximos dias serão semipresenciais, ou seja, senadores poderão votar à distância, esvaziando o plenário. A tendência é que sejam apreciadas somente propostas de consenso entre os parlamentares. Autor/Veículo: O Globo

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Maioria dos empresários associa eletrificação a competitividade no Brasil

Para 92% dos líderes empresariais brasileiros, a eletrificação tem potencial de tornar suas empresas mais competitivas, mostra pesquisa global encomendada pela E3G, pela We Mean Business Coalition e pela Global Renewables Alliance (GRA). Divulgado nesta segunda (15/6), o relatório Powering Up: Business Perspectives on Electrification (Acelerando a eletrificação: perspectivas empresariais) traz o resultado de entrevistas com 1.994 líderes empresariais de 18 países sobre a visão de setor privado em relação à eletrificação da economia. A eletrificação aparece associada a ganhos em segurança energética e inovação, enquanto os resultados globais apontam expectativa de impacto positivo sobre o crescimento econômico. A pesquisa ouviu executivos de organizações de médio e grande porte, com receita anual de pelo menos US$ 1 milhão. No Brasil, 96% dos entrevistados afirmam acreditar que a eletrificação impulsionará o crescimento dos negócios. A volatilidade dos preços do petróleo e as tensões geopolíticas reforçam a eletrificação renovável como estratégia para reduzir exposição a choques externos. O Brasil já viveu esse cenário na pandemia de Covid-19, quando o aumento dos preços de energia acrescentou R$ 17 bilhões à conta energética do governo, aponta a GRA. De acodro com a pesquisa, os executivos brasileiros reconhecem o risco e 74% afirmam que o país é excessivamente dependente da importação de combustíveis fósseis. Já 86% consideram a eletrificação limpa ainda mais urgente diante das tensões geopolíticas. “O Brasil reúne condições únicas para liderar a eletrificação e a descarbonização da economia, graças à sua matriz elétrica limpa e competitiva, à abundância de recursos renováveis e à capacidade de atrair investimentos em infraestrutura”, comenta Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) e presidente do Comitê de Mobilização do Setor de Renováveis da GRA. “O desafio agora é transformar essas vantagens comparativas em vantagens competitivas, por meio de políticas públicas e ações concretas que acelerem a eletrificação e a descarbonização da economia, fortaleçam a competitividade do país e impulsionem o desenvolvimento econômico e social”, completa. Infraestrutura e planejamento são prioridades A segurança energética aparece como o principal benefício percebido pelos executivos brasileiros. Quando precisam escolher entre renováveis e combustíveis fósseis, 85% optam pela primeira alternativa. Globalmente, 91% afirmam que a eletrificação melhoraria a segurança energética e 90% esperam que suas operações estejam eletrificadas dentro de uma década. No Brasil, 96% apoiam modernizações da infraestrutura da rede elétrica, 89% defendem a digitalização da rede e 91% acreditam que esses investimentos tornarão a energia mais acessível no longo prazo. Entre os instrumentos mais demandados estão planejamento governamental de longo prazo, redução dos preços da eletricidade e apoio financeiro para aquisição de equipamentos. Para Natalia Oliveira, head de Policy and Advocacy para a América Latina na GRA, esses dados geram maior confiança interna para “o Brasil transformar sua matriz elétrica renovável em uma vantagem competitiva global”. “A eletrificação limpa pode impulsionar a indústria, atrair investimentos, gerar empregos e fortalecer a segurança energética do país”, defende. Por outro lado, o estudo também mostra que as empresas sentem os efeitos das barreiras de mercado e da incerteza regulatória. No Brasil, enquanto 75% apontam as frequentes mudanças nas políticas governamentais como um fator determinante para suas decisões de investimento, 52% dos executivos afirmam que esses obstáculos já levaram suas empresas a adiar ou cancelar projetos de eletrificação. Além disso, 79% enxergam que suas empresas estão avançando na eletrificação em um ritmo superior à capacidade de preparação das instituições e da infraestrutura. Em nível global, 72% acreditam que as políticas públicas precisam acompanhar melhor essa agenda, e 62% consideram transferir suas operações para economias que ofereçam um ambiente mais favorável à eletrificação. Autor/Veículo: Eixos

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Nova fábrica de etanol de milho recebe financiamento de R$ 500 milhões do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou operação de R$ 500 milhões para financiar construção de uma nova planta de etanol do milho da FS. A unidade, em Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, terá capacidade de processamento anual de até 1,2 milhão de toneladas de milho e produção anual de até 540 milhões de litros de etanol. Estima-se ainda que serão gerados 390 mil toneladas por ano de DDG (Distillers Dried Grains), usado na indústria de ração animal. A FS já opera outras três plantas no estado de Mato Grosso, em Lucas do Rio Verde, Sorriso e em Primavera do Leste. O custo do projeto de Campo Novo do Parecis é de R$ 2,07 bilhões e os recursos aprovados pelo Banco representam 24,2% do total. A operação envolve recursos do Fundo Clima e da linha BNDES Finem voltada para produção de alimentos e biocombustíveis. “Além de contribuir com o avanço da nossa produção de etanol e com a descarbonização da economia, é uma operação que, seguindo a política industrial do governo do presidente Lula, também impulsiona outros setores da indústria, uma vez que valores relevantes do projeto serão investidos em equipamentos nacionais”, afirma Aloizio Mercadante, presidente da instituição. A previsão é de que, uma vez concluída a planta, sejam gerados 182 empregos diretos e 323 indiretos. Durante a implantação, estima-se que serão abertos 3 mil novos postos de trabalho diretos e indiretos. O projeto já prevê uma segunda fase, que estará voltada para a expansão das atividades. A proposta é dobrar a capacidade de processamento, chegando a 2,4 milhões de toneladas de milho e à 1.080 milhão de litros a produção anual de etanol. A localidade das operações da FS é estratégica, tendo em vista que as plantas estão em uma das regiões de maior crescimento e produção mundial de milho de segunda safra. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), no ano agrícola de 2022/23, o estado de Mato Grosso foi responsável por 38,6% da produção de milho do Brasil. Fundada em 2014 com sede em Lucas do Rio Verde, a FS foi a primeira empresa a produzir o etanol de milho no Brasil. Atualmente, é a segunda maior produtora do biocombustível no país. Com informações da Agência BNDES de Notícias Autor/Veículo: Canal Rural

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Alcolumbre se reúne com governo, mas adia definição sobre PEC do fim da escala 6×1

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se reuniu com o ministro José Guimarães, responsável pela articulação política do governo Lula (PT), mas evitou se comprometer com um calendário para a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e proíbe a escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de folga). O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 27 de maio e agora aguarda que Alcolumbre o despache para análise na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Na semana passada, ele se queixou a aliados sobre cobranças nas redes sociais para que vote rapidamente a proposta e atribuiu os ataques a uma ação orquestrada pelo governo e pelos partidos de esquerda para pressioná-lo. Alcolumbre chegou a dizer em plenário que marcaria uma reunião com os líderes dos partidos esta semana para discutir o andamento da PEC, mas indicou a aliados que teria mudado de ideia. Ele também desmarcou uma reunião com o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), em que seria debatido o nome do relator da proposta, responsável por negociar alterações no texto. Apesar disso, Alcolumbre afirmou a senadores que o procuraram durante a sessão que resolverá todas essas questões na quarta-feira (10). Aliados ponderaram que o ritmo dependerá, principalmente, da CCJ, que pode acelerar as discussões para que o texto seja votado em julho, antes do início da campanha eleitoral. A meta do governo é que a aprovação ocorra o quanto antes, para que os dois dias de folga remunerada e a redução da jornada de trabalho para 42 horas semanais já esteja valendo antes da eleição –as iniciativas entrarão em vigor 60 dias após a promulgação da PEC, pelo texto aprovado pela Câmara. Esse cronograma visa fortalecer a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta terça (9), o presidente do Senado reclamou na tribuna sobre a pressão para votar temas com grande impacto na sociedade às vésperas da eleição. Ele não tratava especificamente da redução da jornada de trabalho, mas das demandas para aprovar projetos que criam pisos salariais para determinadas profissões, como médicos, fisioterapeutas e enfermeiros. “Infelizmente, a todos os instantes, eu estou sendo acusado por todos de ser o culpado de todos os problemas do Brasil”, afirmou. “No ano de eleição, isso aqui é muito complexo. Porque o que eu botar para votar, todo mundo vai votar ‘sim’ por conta da eleição, e vai ter que arrumar dez brasis para pagar. E aí fica sendo eu o culpado que não quer dar um piso para o médico.” A fala ocorreu após ele se reunir com Guimarães e os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento, Bruno Moretti. Além da PEC 6×1, os ministros da área econômica alertaram para o impacto das propostas de elevação dos pisos salariais e da PEC que vincula os gastos com assistência social a um percentual das receitas da União para as contas públicas. O governo também solicitou que Alcolumbre destrave a PEC da Segurança Pública, que propõe uma integração entre as esferas federal, estadual e municipal para combate ao crime. O texto foi aprovado pela Câmara em 4 de março e, três meses depois, segue aguardando que o presidente do Senado o encaminhe para debate na CCJ. Outra solicitação foi que coloque em votação o projeto de lei que cria o marco legal para exploração de minerais críticos, aprovado pelos deputados em maio. “A reunião foi muito boa, muito boa”, disse Guimarães à Folha, sem entrar em detalhes. No encontro, o presidente do Senado não indicou um calendário para tramitação da PEC nem quem será o relator. Também não está previsto encontro dele com Lula para aparar as arestas. A relação conturbada de Alcolumbre com o governo começou quando Lula resolveu indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para vaga aberta no STF (Supremo Tribunal Federal). Ele defendia a escolha do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), seu aliado e amigo, e atuou diretamente para derrotar a escolha. Lula conta com apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para convencer Alcolumbre a acelerar a PEC 6×1. O parlamentar encampou esse tema como uma bandeira de sua gestão e tem conversado com o senador sobre isso. Além disso, a pauta de plenário da Câmara está trancada porque o governo ainda não retirou o regime de urgência para o projeto de lei que regulamenta o fim da escala de trabalho 6×1, como uma forma de manter o tema em evidência. A oposição, por sua vez, pressiona Alcolumbre a não pautar a PEC 6×1 e dar andamento a uma proposta alternativa, enviada por ele à CCJ no mesmo dia em que foi protocolada, e que autoriza o pagamento por hora trabalhada. A proposta ganhou apoio das confederações ligadas aos empresários e é defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua pré-candidatura à Presidência. Otto Alencar, no entanto, afirmou à reportagem que não tratará desse tema na CCJ. “Não vou indicar relator, independentemente da outra PEC [6×1] chegar ou não chegar na comissão”, disse. Autor/Veículo: Folha de S.Paulo

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Petróleo fecha em queda amenizada por novas ameaças de Donald Trump ao Irã

O petróleo fechou em queda nesta terça-feira (9), ainda que tenha saído das mínimas do dia. Declarações de autoridades americanas sobre avanços diplomáticos no conflito no Oriente Médio e o aumento do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz chegaram a levar a commodity a uma queda de mais de 5% nas mínimas do pregão. O movimento foi amenizado, contudo, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com ameaças de novos ataques ao Irã. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para julho fechou em queda de 3,4% (US$ 3,10), a US$ 88,20 o barril. O petróleo Brent para agosto, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em queda de 2,97% (US$ 2,80), a US$ 91,45 o barril. Trump chegou a dizer que o fechamento de um acordo com o Irã está próximo, trazendo alívio para os preços do petróleo nesta terça-feira – uma alegação que ele já fez cerca de três dezenas de vezes nos últimos dois meses, segundo uma análise da CNN. O líder americano, porém, afirmou posteriormente que responderia ao ataque do Irã que derrubou um helicóptero militar durante uma patrulha sobre o Estreito de Ormuz, o que cortou parte da queda do petróleo. Adicionando otimismo aos mercados, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que o tráfego marítimo pelo trecho está aumentando “de forma muito significativa” conforme o conflito com o Irã continua. Segundo a Reuters, ele ponderou que levará muitos meses para que o fluxo de energia volte ao normal após o fim da guerra. Para o analista de inteligência de mercado da Stonex Bruno Cordeiro os investidores seguem precificando o cessar-fogo temporário entre Irã e Israel e a possibilidade de que essa medida contribua para um avanço mais intenso das negociações. “Se continuarmos observando um diálogo entre Teerã e Tel Aviv, é provável que os preços sigam em patamares mais baixos”, afirma. Enquanto isso, o Departamento de Energia americano (DoE, na sigla em inglês) manteve projeção para o preço médio do petróleo Brent neste ano e no próximo, prevendo que o Estreito de Ormuz continuará fechado até o terceiro trimestre de 2026. Já a União Europeia informou que está considerando adiar até janeiro um aumento previsto em seu limite de preço sobre o petróleo russo. Segundo o Financial Times, a ideia é impedir o aumento das receitas de Moscou diante dos preços mais altos do petróleo em decorrência da guerra no Irã. *Com informações da Agência Estado Autor/Veículo: CNN

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Durigan diz que Brasil e EUA podem negociar setores como etanol, açúcar e tecnologia

O ⁠ministro da Fazenda, ‌Dario Durigan, disse nesta terça-feira que o ‌diálogo comercial do Brasil com os Estados Unidos precisa passar por ⁠uma ‌negociação setorial, ⁠incluindo temas do agronegócio e de tecnologia. Em entrevista ao portal UOL, Durigan ​afirmou que os EUA têm demandas ​relacionadas a tarifas do etanol, enquanto o Brasil tem interesse no ‌comércio do ​açúcar. Ele mencionou ainda demandas na indústria aeronáutica, ⁠infraestrutura ​de ​telecomunicações e tecnologia de nuvem. Após ⁠os EUA ​fazerem novas ameaças de tarifas contra ​produtos brasileiros, o ministro afirmou que ​o ⁠governo trabalhará para que não ⁠haja uma punição geral ao Brasil. (Reuters) Autor/Veículo: InfoMoney

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Carro elétrico emite mais carbono na fabricação, exige quilometragem maior para benefício ambiental

A fabricação de carros elétricos emite até três vezes mais gases do efeito estufa em relação à manufatura de veículos a combustão, fazendo com que automóveis movidos a bateria precisem percorrer distâncias maiores para compensar a diferença e trazer benefícios ao meio ambiente. É o que aponta o estudo “Do berço ao portão: Pegada de carbono da produção de veículos leves fabricados no Brasil”, produzido pela FGV (Fundação Getulio Vargas) e pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), ao qual a Folha teve acesso com exclusividade. A pesquisa avaliou o ciclo de vida da indústria automobilística e abrangeu desde a extração da matéria-prima até o fim da manufatura nas fábricas. A análise detalhou as emissões para os segmentos hatch, sedã e SUV conforme quatro tecnologias de propulsão: As conclusões apontam que a fabricação de um SUV a combustão gera, em média, 5.366 kg de CO2e (dióxido de carbono equivalente), a medida padrão que considera diferentes gases do efeito estufa. Já a manufatura de um veículo elétrico do mesmo segmento emite mais que o dobro: são 12,5 mil kg de CO2e. No caso de um sedã, a disparidade é ainda maior: são 4.745 kg de CO2e no modelo a combustão, contra 16,2 mil kg de CO2e na versão elétrica. Veja abaixo os valores para cada categoria. O estudo calculou as emissões de fabricação com base nos veículos mais vendidos no país em 2023, segundo lista da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. A pesquisa contou com dados de sete montadoras (General Motors, Honda, Jaguar Land Rover, Nissan, Stellantis, Toyota e Volkswagen), além de empresas que abastecem a indústria, como Bosch, Braskem, Gerdau e Usiminas. Os pesquisadores usaram as especificações para agregar a pegada de carbono em carros representativos do mercado brasileiro. Assim, os números apresentados dizem respeito a automóveis médios que ilustram o cenário atual no país. Juliana Picoli, pesquisadora e gestora de projetos do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, afirma que o estudo pode ajudar a gerenciar as emissões da fabricação de veículos, ao identificar as etapas onde há mais poluição. “Existia uma carência de dados primários sobre as emissões, com muitos estudos de avaliação de ciclos de vida usando ferramentas internacionais”, diz. O trabalho recebeu financiamento da Fundação de Apoio da Universidade Federal de Minas Gerais e faz parte do programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), do governo federal. O inventário das emissões considera os diferentes componentes presentes nos carros, como motor e carroceria. Em todas as categorias de veículos, mais de 90% da poluição gerada na manufatura ocorre na fase de extração e pré-processamento da matéria-prima, puxada por aço, alumínio e plásticos. No caso dos veículos elétricos, a fabricação da bateria responde, sozinha, por cerca de metade da pegada de carbono, diz Picoli. Por outro lado, um automóvel eletrificado emite menos CO2 ao longo da vida útil se for abastecido com energia renovável. Para detalhar essa diferença, a pesquisa calculou o chamado ponto de “break-even”, que representa a quilometragem a partir da qual um veículo elétrico passa a ter emissões acumuladas inferiores a outras alternativas. Conforme o estudo, um SUV elétrico precisa percorrer cerca de 93 mil km para igualar as emissões de seu equivalente flex, enquanto um híbrido plug-in do mesmo segmento só atinge a igualdade com 177 mil km rodados. Já a equivalência em relação a um veículo abastecido apenas com etanol é alcançada por volta dos 400 mil km. “O veículo elétrico, por ter maior massa, materiais mais sofisticados e bateria, acaba demandando uma rodagem maior. Então, esse ‘payback’, de se pagar do ponto de vista ambiental, pode levar alguns anos”, afirma Joaquim Seabra, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp e um dos autores do estudo. A pesquisa também identificou que carros fabricados no Brasil podem ter pegada de carbono até 30% menor em relação a veículos fabricados no exterior, por conta da maior participação de renováveis na matriz elétrica brasileira. Porém, a vantagem varia conforme os modelos de automóveis e pode diminuir ou até se anular com perdas de materiais ao longo da cadeia. “Estamos um passo na frente, mas outros países estão mitigando as emissões rapidamente. Por isso, é importante usar essa janela de oportunidade agora para atrair ainda mais investimentos e explorar, no bom sentido, as condições nacionais de energia renovável”, diz Seabra. Autor/Veículo: Folha de São Paulo

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